O MP (Ministério Público) acelerou as investigações com objetivo de afastar parlamentares acusados de serem o braço direito do maior bicheiro do Mato Grosso, Arcanjo Ribeiro, chamado de "comendador". Os investigados aparecem em mais de 100 processos.
No fim de 2002, a Polícia Federal e o MP deflagaram uma operação chamada Arca de Noé, cujo objetivo era o de prender o chefe do crime organizado Arcanjo Ribeiro. O "comendador", preso desde 2002, era o maior traficante de armas e drogas do centro oeste do país, comandando também jogo do bicho e jogatina ilegal. A operação, no entanto, revelou um esquema de corrupção abrigado na Assembleia Legislativa do estado.
De acordo com o MP, dois dos políticos mais importantes do Legislativo matogrossense utilizavam uma das empresas do bicheiro para desviar dinheiro da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva e Humberto Bosaipo.
Riva e Bosaipo
Riva é presidente da Assembleia, apesar de estar com os bens bloqueados e por estar impedido por ação judicial de assinar cheques da Casa Legislativa que dirige. Bosaipo, mesmo sendo réu em centenas de processos, foi nomeado há dois anos Conselheiro do Tribunal de Contas do estado.
Ambos respondem a 118 processos, 91 ações civis públicas e 17 ações penais por improbidade administrativa, corrupção, peculato, formação de quadrilha.
O esquema dos dois parlamentares começou com montagem de pelo menos 105 empresas fantasmas, o que já valeu a eles quatro condenações em primeira instância, com apenas uma revertida. Todas as empresas foram registradas pelo escritório do contador José Quirino Pereira.
Riva é também acusado pelos promotores de destruir provas e obstruir a justiça. Ele teria ordenado a destruição de todos os documentos com mais de cinco anos de idade do arquivo da assembleia.
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MP investiga parlamentares do Mato Grosso ligados a bicheiro